A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a desapropriação de terrenos necessários para a construção do trecho final da ferrovia da Petrocity, que ligará o Espírito Santo a Goiás, integrando-se a outras ferrovias nacionais.
A autorização foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta semana, por meio da declaração de utilidade pública do projeto — procedimento legal que viabiliza as desapropriações. O trecho liberado fica entre Santana do Paraíso, em Minas Gerais, e São Mateus, no Norte capixaba.
A Petrocity também recebeu autorização para dar caráter de urgência às desapropriações. No entanto, o início das obras ainda depende da obtenção de licenças junto aos órgãos públicos, especialmente o licenciamento ambiental. Segundo o CEO da Petrocity, José Roberto Barbosa, os estudos ambientais estão em estágio avançado.
A previsão é que a ferrovia comece a operar parcialmente em 2029, com a conclusão total do trajeto — de aproximadamente 2.660 quilômetros entre São Mateus (ES) e Mara Rosa (GO) — prevista para 2031.
O projeto da Petrocity prevê a criação de um corredor logístico estratégico, que conectará a produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro aos portos em construção no Norte do Espírito Santo, fortalecendo a região como uma nova rota de exportação de commodities. A malha também poderá atender futuros empreendimentos industriais da área, que integra a região da Sudene e oferece incentivos fiscais atrativos para empresas.
A ferrovia será interligada à Ferrovia Norte-Sul (FNS), que cruza o Brasil de Açailândia (MA) ao Porto de Santos (SP), e à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), que corta os estados de Goiás, Mato Grosso e Rondônia.
A obra está prevista para começar em 2026 e ser concluída em 2031, com a expectativa de gerar cerca de 10 mil empregos nos estados de Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás.
A malha será construída em três trechos principais:
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São Mateus a Barra de São Francisco, com um ramal para Ipatinga (EF-456);
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Barra de São Francisco a Brasília (EF-030);
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Brasília a Mara Rosa (EF-355).
Há também a possibilidade de integração com a Ferrovia Bioceânica, que conectará o litoral brasileiro ao Porto de Chancay, no Peru, criando uma nova rota para o comércio com a Ásia, segundo Barbosa.
O investimento total previsto para o projeto é de R$ 23,4 bilhões. A Petrocity ainda negocia contratos de permissão de uso com operadores ferroviários, incluindo o direito de pesagem pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).

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